Desde o começo de sua história, a humanidade sempre buscou formas de abrir janelas que lhe permitisse vislumbrar o futuro, fazendo uso, por exemplo, da concentração, de drogas cerimoniais ou oráculos. Destes, talvez o Tarot seja um dos mais divulgados, tendo sobrevivido a perseguições científicas e religiosas e chegado até os dias de hoje, abrindo caminho até nós em pleno século XXI.
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Muito se tem dito a respeito do Tarot, seja por mera curiosidade, estudo ou em busca de respostas para questões existenciais. Não há quem nunca tenha entrado em contato com esta fantástica ferramenta de autoconhecimento. Mas o que, exatamente, é o Tarot? O Tarot é um conjunto de 78 cartas, também chamadas de Arcanos (do Latim arcanum, "que encerra mistério, que está oculto, secreto") que por sua vez se dividem em Arcanos Maiores e Arcanos Menores. As 22 cartas que compõem os Arcanos Maiores representam experiências humanas universais arquetípicas, enquanto as 56 cartas que compõem os Arcanos Menores representam os desdobramentos destas experiências num plano mais concreto e prático de nossas vidas diárias. É muito interessante notar como o Tarot consegue, através de representações simbólicas, reunir de forma simplificada figuras do imaginário e da simbologia universal. |
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Não obstante seus símbolos estarem presentes de uma forma ou de outra em todas as culturas tanto antigas quanto modernas, ninguém até hoje foi capaz de afirmar com certeza nem quando, nem onde, nem por quem o Tarot foi criado. Sua história se perde no tempo, confunde-se com a própria história do desenvolvimento da consciência humana e da formação de sua cultura. É uma história apaixonante, cercada de mistérios e de personagens interessantes: sacerdotes ancestrais, ocultistas de renome, artistas geniais e uma infinidade de autores anônimos que, desde tempos longínquos, vem contribuindo para esta forma de oráculo.
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Muito embora localizar o Tarot geográfica e cronologicamente seja uma tarefa virtualmente impossível, sabemos que ele começou a ganhar a forma que conhecemos hoje na Europa da Idade Média, que então se configurava em um centro para o qual convergiam diferentes culturas e riquíssimas tradições, onde mentes inquietas trabalhavam em nome da ciência e da arte, da filosofia e da religião. Neste contexto cosmopolita, ensinamentos esotéricos do oriente e ocidente juntaram seus genes com a arte representativa da época, formando um conjunto de imagens que, em suas 78 lâminas, ilustrava a história da evolução humana desde o mais remoto passado até o futuro distante. |
Em seu sistema completo de 78 lâminas, o Tarot rompe os limites do tempo, do espaço e da consciência para adentrar os domínios ilimitados, imprevisíveis das artes divinatórias. Seus símbolos através de uma linguagem própria se combinam para formar um poderoso léxico, seja para obter respostas para o dia-a-dia ou para grandes ou pequenos impasses que paralisam a ação e deixam o corpo e a alma doentes.
Não devemos esquecer que o Tarot pertence ao imaginário e remonta a uma antiga tradição oral, podendo ser jogado por qualquer pessoa, em qualquer época, em qualquer lugar. O mais importante quando se lê o Tarot é conhecer profundamente as representações simbólicas de cada carta, e saber interligá-las. Não existem regras pré-definidas para isso, mas sim a sensibilidade e a capacidade de perceber o Outro.








