Durante muito tempo nos preocupamos com a opinião dos outros. Funciona mais ou menos assim: existe uma situação, uma estrutura mental pré-formatada, anterior ao nosso nascimento ou ao nascimento de nossos pais e avós. Cada qual tem seu papel na sociedade, como peças de uma engrenagem que gira em torno de si. De alguns, espera-se que se tornem provedores, sejam o grande esteio de seu grupo familiar, resolvam todos os problemas de ordem material. De outros, que dêem a luz e orientem os mais jovens, de modo a garantir o passeio pelo sistema.
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Pois é. O sistema é ambíguo. De um lado, promove relações de troca e favorece o crescimento individual. Garante acessos e oportunidades em troca de alguns esforços positivos, tais como o estudo e o trabalho. Define e esclarece responsabilidades e limites, regula seus processos com regras e leis juramentadas. Funciona. Até que é interessante, do ponto de vista estrutural. Traz certa ordem, o que é inegavelmente positivo. |
Porém, por outro lado, exige adequação.
Adequação... verbo transitivo que significa "ajustar, encaixar, apropriar, adaptar, tornar correspondente de forma perfeita". Xiiii, existe uma forma perfeita... É aí que está. Se você não se encaixa, pronto. Tudo começa. Você é o errado, o coisinha, o desencaixado, o desajustado. Aquele que não corresponde às expectativas. E o sistema o aponta. Condena-o. Execra-o.
Mas, sabe... Eu acho que o problema não é ser inadequado. Eu acho que o sistema é que é incompleto. Veja só: a Natureza é sinônimo de diversidade. Tem coisa mais diversa que a Natureza? Tem peixes que saltam tão alto que parece que voam; tem aves (com asas!) que não voam; tem répteis que saltam mais longe do que eu ou você. Só por isso são deletados do sistema? Não são.
Eles lançam uma plataforma Windows ou seja lá o que for a cada ano, para agregar as novas possibilidades para o usuário. Novos produtos são lançados a cada dia, abrindo novos acessos. Mas será o Benedito que ninguém vai fazer um UpGrade nesse sistema arcaico, medieval e cegueta em que vivemos?
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Pois é. Não vai. Nem pintando o tal de Benedito de amarelo... O sistema vai continuar aí. A boca do mundo vai continuar falando. E se eu for um inadequado? Cadê o manual? Bom, dois caminhos a seguir: ou você acredita que é um inadequado e passa a se anular, dando valor aos predicados e às aparências, tentando se adequar a todo custo, ou passa a observar o sujeito da frase. Pense bem: se o "inadequado" existe, é porque a Natureza permite. Não há sistema mental abstrato maior que a Natureza ou mais perfeito do que ela. Portanto, o atualmente classificado como "inadequado" tem o direito de existir e coexistir. |
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Quando damos força aos rótulos - mesmo que esse rótulo venha com o selo do INMETRO ou com a marca impactante e desafiadora de um X-Men -, damos força ao predicado. Damos força às aparências. Damos força à opinião do outro. À crítica do outro. Ao negativismo do outro. Daí, corremos o risco de passar a vida mendigando o apoio e a aprovação do outro. E o pior eu ainda nem falei: esse outro, a quem damos tanto ouvidos, é tão louco quanto nós, preocupado com a opinião de outro Outro... e vira uma coisa em cadeia: o que o Outro vai pensar de Mim se Você... Aff! Que mundo de gente louca em que vivemos...
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Por isso que eu gostaria de sugerir que déssemos uma olhadela, nem que fosse por um mísero segundo, para o nosso Sujeito. Mais ou menos assim: "Peraí, eu sou do Bem, eu sou legal, tenho essas e essas qualidades, fiz isso e aquilo de bom hoje...". Que tal nos parabenizar de vez em quando? Mais ou menos assim: "Puxa que legal essa coisa que eu fiz! Parabéns, Eu!" Sabe que fazendo assim, a necessidade da aprovação alheia diminui? Com isso, o ruído diminui, a guerra diminui. |
Não é fácil de fazer, assim no primeiro momento. Não fomos educados para isso. Mas vale a pena tentar. Eu ainda estou aprendendo, mas sabe que tem funcionado?









