Eu ando profundamente encafifada com uma coisa. Como lido com Metafísica, sei que tudo que acontece ao nosso redor é conseqüência de nossas crenças. Isso, para mim, é fato. E meu sensor funciona melhor no trânsito. Veja só.
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Outro dia, estava eu dirigindo de noite. E era um tal de levar fechada pela direita. E fechada pela esquerda. E um povo apressado, cortando, costurando, tirando fina do meu carro. E eu, lá. Ninja, fujindo dos barbeiros. Até uma hora em que eu parei e me perguntei: o quê que eu estou fazendo para atrair tudo isso? Olhei para o meu dia e vi que quem estava com pressa era eu - estava na energia da pressa. E que, se cotinuasse, acabaria metendo os pés pelas mãos em questões de trabalho - correndo risco, como em uma batida de carro. Parei para pensar, alí mesmo no volante. Nunca mais me fecharam. |
Outro dia, lá ia eu passear de noite. E o ônibus brecou em cima da minha traseira... e depois, outro. E depois, veio o motorista de táxi... eu ia pela pista da esquerda, que se abriria em duas logo mais a frente. Era possível continuar em linha reta, mantendo-me à esquerda da pista principal, ou virar mais à esquerda para acessar outra avenida.
Trânsito. A mulher que dirigia o carro em frente reduziu. E eu não tinha como passar. Conclusão, fiquei esperando que virasse à esquerda para que eu pudesse passar, praticamente parada. Nisso, veio o táxi atrás de mim. O cidadão veio, quase me acertou, cortou-me pela direita e saiu me xingando, dizendo que alí era apenas para quem ia reto, etc., etc., etc.. Eu fiquei *&%#@%$%¨*%$#. Cara, que sensação de injustiça! Tinha me estrepado e ainda levara a culpa de algo que não tinha feito.
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Daí, analisei - entendi que naquele dia estava na postura de vítima (coisas de trabalho). Estava sentada na posição de coitada. E atraí para mim tudo o que o coitado merece: pancada! Nos quinze minutos seguintes, trabalhei por uma mudança interna de postura. Funcionou. |
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Bom, mas meu caso é outro. Um mistério que não consigo resolver direito. Existe uma determinada marca de carro que me irrita profundamente - o perfil do motorista desta marca é sempre o mesmo: não sabe dar sinal de seta, sempre corta todo mundo, anda em duas pistas ao mesmo tempo, não passa dos 60km/h. É batata!!! Em 100% dos casos que eu vi, foi assim.
O modelo é considerado de grife, elegante, fashion. Mas, olhando para o carro, percebo - para mim é assim - que ele representa uma falsa beleza, uma falsa elegância. Tecnicamente, só vejo lata - parece-me um carro grande, sem grande conforto, apenas com aparência. Algo falso, fake, mais imagem do que conteúdo.
E lá vem ele. Vejo qualquer barbeiragem e é batata: é daquele carro. E faz tempo, muito tempo que observo isso, mas levava como piada. E agora eu estou encafifada. O que diabos significa essa minha irritação com esse modelo de carro e a constância do comportamento dos motoristas dele?
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Daí passei a analisar. Em primeiro lugar, mantenho a coisa de que tal modelo representa para mim uma imagem falsa, sem conteúdo - uma ostentação. E uma coisa me deixou preocupada: eu o reconheço pela traseira, mas dificilmente o reconheço quando vem de frente. Daí, eu me dei conta de que sempre estou seguindo, sempre atrás desse padrão que enxergo. Ou seja, sei o que significa para mim, mas continuo atrás, seguindo. |
E aí fiquei muito mais encafifada! E passei a olhar a minha vida como um todo. Situação atual: mudança de rumo profissional, abertura para o Novo - Arcano Zero: o Louco do Tarot. Dá medo. Igual à barata, lembra?
Eu acho que descobri o que me irrita naquele carro. Estou seguindo um padrão no qual não acredito. Mesmo porque, de frente, o carro não me estressa. Aliás, até o confundo com carros mais baratos, não me chama a atenção. E é até bonito, sabe? Não o teria porque, para mim, é muito grande, não ia conseguir fazer balisa....risos!
Continuo observando para validar minha teoria. Se estiver correta, ele deixará de me irritar em breve. E talvez até suma das minhas vistas - acredito que isso aconteça quando der cabo da mudança.
Eu ainda preciso aprender que quem tem as rédeas da minha vida sou eu, que a fatura vem para que eu pague, que sou eu que me estrepo se seguir pelo modelo dos outros. E que, se isso acontecer, vou permitir que me cortem e que restrinjam minha velocidade à 60km/h. O ponto é que eu nasci para voar...
Obs.: escrevi este texto em Novembro de 2009 - pensava enquanto escrevia, concluindo e tomando consciência... acredita que nunca mais fiquei atrás daquele carro??? Quando aparece, imediatamente muda de pista e até dá sinal de seta!!!









