Seria se fosse ou “foria se sesse”?

Engraçado. Tinha um tema definido para este artigo aqui dentro da minha cabeça. Só que começar a escrever estava um tanto complicado. Foi aí que eu percebi que estava fazendo exatamente aquilo sobre o quê quero conversar com você.

Quero falar de expectativas. Daí o que escrevi acima – estava gerando expectativas sobre o conteúdo e sobre a lógica do que pretendia escrever. Montando um roteiro, quase uma tese, prevendo um resultado.

expectativas ansiedade

E esse é o ponto. Uma coisa é planejar determinados passos para atingir um objetivo. Misturo as gemas com o açúcar, bato as claras em neve em separado. Ponho a farinha e o chocolate em pó, dissolvo tudo com leite. Por fim, as claras e o fermento. Planejei, executei e o bolo está pronto.

Isso é planejar, ordenar os passos com vistas a um objetivo. Ok, legal! A questão aqui é o quê espero disso.

Por exemplo, o cidadão bem-intencionado faz um bolo para agradar a quem gosta, que chegará e sentirá o perfume do doce ao abrir a porta da sala. Então, um grande sentimento de aconchego se instalará em seu peito e ele ganhará um grande beijo, em reconhecimento e em gratidão. Tudo isso ao som de violinos...

Realidade: ela chega, na TPM, furiosa com o trânsito e com um baita resfriado – nariz entupido... Para piorar, passou na farmácia para comprar um analgésico e se pesou, sabe... e o moçoilo cobriu o bolo com leite condensado...

Deu para sacar o impacto? Expectativa e Realidade?

Na verdade, o legal aqui seria fazer o bolo pelo prazer de cozinhar. Curtir o “processo produtivo”. Garanto que o exemplar sairia até mais gostoso.

Claro que seria legal se ela apreciasse o movimento. Claro que é sempre gostoso fazer um agrado a quem gostamos. Mas sem jogar a carga sobre o outro, sem pré-moldar a resposta do outro. Isso é aceitar o outro como ele é, isso é amor sincero. Sem lapidação da personalidade do outro para atingir às nossas expectativas.

expectativas ansiedade

Foi assim que consegui escrever este artigo, aceitando-o como ele é. Sem gerar expectativas sobre a resposta das pessoas que o lerem. Sem a garantia de que ele surtirá qualquer efeito. Só pelo prazer de escrever. Tomara seja útil para alguém. Mas se não for, pelo menos foi divertido.

Uma vez ouvi um hindu dizer o seguinte: toda escolha gera um resultado. E este pode ser o resultado esperado, mais que o esperado, menos que o esperado ou simplesmente não ser. Somos responsáveis pelas escolhas, porém não pelos resultados, pois estes seguem a Lei da Ação e Reação. Aceitar o real, sem expectativas, abre novas possibilidades de respostas, que talvez apreciemos ainda mais.

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