Menina, dia de faxina é fogo! Faz um mês que eu estou fazendo faxina e a coisa não termina. Quanto mais a gente limpa, mais espaço aparece para limpar. A gente tira as coisas do lugar para livrar o ambiente, limpa tudo e depois recoloca cada coisa na posição correta. E as tranqueiras inidentificáveis que surgem? O que fazer com elas? Em qual lixo jogar? Orgânicos? Vidro? Plástico?
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Não, não. Não estou falando de faxina em casa... estou falando de faxina interna. Feng Shui interno - sinos de vento e fontes no Guá do Trabalho, fotos da pessoa amada no Guá do Relacionamento, cristais multifacetados nas quinas de parede, sabe? Quando você se predispõe a pagar o preço da realização espiritual, enfrenta algumas questões densas e profundas. Coisas que você achava que estavam resolvidas reaparecem. Toma consciência do quão fora de si você já esteve. E dos danos que isto trouxe e você nem sequer imaginava. Como é possível ficar tanto tempo longe de si mesmo? |
Tudo é função do conceito que você tem de si. Aliás, o planeta Terra deveria se chamar Planeta da Auto-Estima. Eu ainda não encontrei alguém que se garanta em todos os aspectos de sua vida. E existe um processo robusto que cria certas neuroses conforme caminhamos pela vida.
Quando bebês, somos condicionados a obedecer a horários específicos, quer seja para dormir ou comer. Isso é necessário para melhor nos adaptarmos ao mundo, mas, na via inversa, não deixa de ser uma espécie de invasão. Crianças um pouco maiores começam a conhecer certos limites: "Não pode mexer aí! Não pode comer isso agora! Não pode falar enquanto o outro está falando! Não pode correr! Ou seja, começamos a nos ceifar para fazer parte do convívio.
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Isto é positivo, pois nos dá a noção de limite, da presença de outras pessoas no mundo, de senso de respeito. Todavia, se o modo como isso nos é apresentado não tem esse foco, muitos problemas começam a aparecer. Como assim? Veja só: um exemplo é a criança curiosa, que tudo fala e tudo quer ver ou tocar. Imagine que a mãe dessa criança a leve para visitar a casa de alguém. Lá, tentará mexer em tudo que puder. |
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Linha tênue: senso de limite e respeito à propriedade alheia. Com a explicação correta, dificilmente a criança não colabora. Porém, se, por vaidade, a mãe é ríspida, passando a mensagem de que, de alguma forma, a criança é a "errada" no mundo, duas coisas, no mínimo, podem acontecer. Ela pode ser tornar cada vez mais mal-educada, no intuito de chamar a atenção, ou pode simplesmente "travar". Em ambos os casos, faz movimentos para ser aceita.
Esse tipo de coisa se repete em nossas vidas. Interações podem ser percebidas como invasões. Professores, colegas, amigos, inimigos, chefes e subordinados - todos esperam algo ou uma determinada atitude de você. E, para ser aceito, você se adéqua.
Tradução: a Mente atua de uma forma e a Alma deseja outra. Resultado? Frustração, tristeza, solidão (a verdadeira, quando você está longe de si!) e um monte de carências. Resultado último? Somatização - febres, gripe, gordura localizada, queda de cabelo, acidentes, diabetes, problemas de coluna, perda de dentes, espinhas e tudo o mais que você possa pensar. Tudo é aviso para perceber quando o espírito deixou de conversar como o corpo - o sistema não é mais sinérgico.
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A tentativa de adequação ou qualquer tipo de anulação leva à doença física, que tem origem nas crenças que carregamos. Será que sua dor de cabeça não é excesso de preocupação com coisas que você não pode controlar? Será que ela não desaparece se você optar por soltar e deixar de ser aquela que tudo sabe, que a todos orienta, que sempre tem todas as soluções para os pobres desvalidos ao seu redor? Para ser a mais adequada e que sempre tem o Ás na manga? |
Estar longe de si, não obedecer aos anseios da alma, só atrasa a sua vida. Não é saudável trabalhar no que não se gosta só porque tem que pagar a conta do cabeleireiro (que fez aquele penteado que você nem gosta, mas que todo mundo está usando por causa da novela) ou só porque tem que pagar a prestação do celular último tipo (aquele que tem tantas funções que nem dá para saber como se usa...).
Fazer faxina é assim. Você pergunta para si o quê está fora do esquadro, toma consciência e conserta. É complicado e confuso, mas depois da arrumação vem a calmaria e a possibilidade de curtir um ambiente interno melhor.







