Lamas Térmicas: Perspectivas de Inovação

Desde a época dos antigos romanos, criadores das balneas, a Itália tem grande tradição em tratamentos térmicos. A Peloterapia é a aplicação de lamas térmicas (pelóides) visando à recuperação de patologias musculares, ósseas e cutâneas. Mais recentemente, esta prática antiga tem sido também aplicada com vistas ao bem-estar e ao relaxamento.

As argilas térmicas são pastas hidrotérmicas produzidas via mistura primária ou secundária de materiais argilosos com águas termo-minerais, além de materiais orgânicos, produzidos via atividade microbiológica, presente no processo de maturação.

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A lama térmica pode ser aplicada como cataplasma sobre um local específico ou sobre todo o corpo, para recuperação de reumatismo crônico, mialgias, neuralgias, ósteo-artrose e traumas ósseo-musculares; como máscaras para tratamento de doenças da pele, tais como acne, seborréia e psoríase; na limpeza estética e cosmética e em banhos, contra lipodistrofias e celulite.

Atuamente, a nova Peloterapia - cujo foco é bem-estar e relaxamento - está enfrentando alguns obstáculos. O primeiro deles é o desaparecimetno das lamas térmicas naturais. Por conta disto, alguns spas já preparam suas próprias misturas.

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Além disso, os tratamentos com foco específico em determinadas patologias exigem formulação de pelóides com propriedades adequadas. Nos últimos 15 anos, a literatura científica apresentou poucos trabalhos a esse respeito, restringindo ainda mais as possibilidades desta terapia. Por falta de esclarecimento técnico, algumas pessoas tendem a acreditar que seus efeitos benéficos são fruto apenas do aquecimento da lama, fator este que apenas faz parte de um complexo mecanismo, que envolve muitas variáveis.

As propriedades ideais e os fatores ativos de uma lama térmica madura são: retenção de água, consistência, bioadesividade, facilidade de manuseio, sensação agradável para a pele, tempo adequado de resfriamento e capacidade de troca de elementos químicos (produzidos pela atividade metabólica de microorganismos) entre a lama e a pele.

O tamanho do grão da argila, bem como sua mineralogia, estão intimamente ligados ao desempenho do tratamento. Na contrapartida, é importante atentar para a presença de materiais na mistura que possam prejudicar a pele, tais como abrasivos, sílica livre, amianto, hidróxidos, entre outros.

A chave para a preparação de um pelóide é a maturação. Infelizmente, é feito de forma empírica em boa parte dos spas, com base apenas na prática do responsável. É uma etapa complexa, quando ocorre a modificação do ambiente da pasta argila-água (pH, temperatura, exposiçâo à luz, regime hidrológico, contato com ar, etc.), com o desenvolvimento das novas microflora e microfauna e de seus produtos metabólicos. Em muitos spas, as lamas são recicladas - daí a sugestão dos autores do artigo em criar um protocolo/certificado de qualidade para estes produtos.

 


O Espargírica respeita a Lei 9610/98, Lei do Direito Autoral, referenciando a fonte completa da informação:
  • F. Veniale, A. Bettero, P.G. Jobstraibizer, M. Setti, Thermal Muds: Perspectives of Innovations, Applied Clay Science, 36, 2007, 141-147.

 

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